domingo, 25 de abril de 2010

Novus

Nada é novo embaixo do sol
Charlatãs a passar pelas novas
Assim é ao encontrar Serzedêlo
O insano tenta esfaquear Pariquis

Nada é novo embaixo do sol
A fumaça e o calor ameaçam
Não se leva poesia ou música
A gasolina não importa mais

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Ha muito tempo não escrevia um poema realmente da maneira clássica. Versinhos e tudo mais. Este poema nem título têm, então vou chamá-lo simplesmente de Novus, há muito tempo queria colocar algo com gosto de "moderno". Iria ser maior e com mais detalhes como a Praça Batista Campos e de que coisas que vi e senti, mas daí perderia o elemento de grande abstração que quero por. Por enquanto só tirando a poeira enquanto não escrevo um poema maior (Novus se tornou o esboço para outro poema) ou uma resenha para o blog. Não vou entregar as mensagens de bandeja, mas só por nota de curiosidade: a parte de Serzedêlo e Pariquis é uma referência a um flanelinha que ameaçou o outro com uma faca por estas ruas, ninguém se feriu.

terça-feira, 30 de março de 2010

Meu Sonho Estúpido

WARNING – WARNING: É extremamente recomendável que você leia o post Muzak para entender todo o contexto da matéria, infelizmente o texto saiu grande demais se você não tiver paciência sugiro que leia este primeiro e o post Muzak em outro dia. Se você não se interessa pela banda, leia Muzak antes. Recomendo também que baixe pelo menos o álbum Stupid Dream.

LINK PARA OS ÁLBUMS DO PORCUPINE (TORRENT):

http://isohunt.com/torrent_details/128178605/porcupine+tree?tab=summary

Porcupine Tree (1987-presente)
Álbum: Stupid Dream - 1998
Guitarrista, Vocalista e Compositor principal: Steven Wilson
Tecladista e Sintetizador: Richard Barbieri
Baterista: Chris Maitland
Baxista: Colin Edwin
Artista Convidado: Theos Travis (Saxofone e flauta)

    Dos vários pronunciamentos de Steven Wilson, Stupid Dream retrata sobre a indústria musical e de que como as empresas se articulam na produção de música. Muitas das vezes acabam por destruir muito da criatividade do artista, destruindo sua originalidade, denotando a música como um mero símbolo de comercial e lucro e apenas isso. Steven sempre sonhou em fazer a música livremente, conseqüentemente não focando para o mainstream, e percebeu que fazer música é um Sonho Estúpido, isso às vezes o levava a depressão e algumas de suas músicas relatam sua relação com a indústria da música. Steven diz que no fim você acaba por se prostituir e que o sonho por boa parte das pessoas está em ser um pop-star “bam-bam-bam”, mas não sabem como ser um músico exige muito esforço, estresse, desapontamento e muito deslocamento com viagens. Para ele há muito controvérsia entre ser um artista de verdade e um comerciante. Considero este álbum uma quebra com seus antecessores por não ser tão The Sky Move Sideways.

Even Less – 7:11

    A música começa em silêncio, Richard entra com sons que lembram cordas, em seguida vozes de crianças (ou de uma mulher?) sorrindo ou brincado, depois entra a guitarra de forma tranqüila e subitamente mudam para um som agressivo, Porcupine chama atenção por mesclar sessões pesadas e acústicas, uma boa música para abertura de show. A música inteira fica alternando o tempo todo entre o calmo e o agitado (o que pode incomodar alguns ouvintes), até por fim se estabilizar para Richard lança você em um ambiente dopante e Steven experimenta um solo expressivo que vai ficando mais calmo. No término ouvimos uma mulher dizendo os números “0096 2251 2110 8105”. De acordo com Steven esses números foram retirados de uma freqüência de rádio, estes códigos são usados por agências de inteligência para transmitir mensagens para operativos do mar (o.O), embora nada seja comprovado ou o governo tenha conhecimento disso.

    A letra fala de duas amizades, um deles é um menino que acaba morrendo por afogamento na praia, o sobrevivente é preenchido com remorso por não conseguir fazer nada e lança uma linha sarcasticamente ateísta “But for the grace of god goes another man”. Um anúncio para cada vez menos? Continuamente temos:

Piano Lessons – 4:22

    Esta música fala de tudo que mencionei sobre a música na minha introdução sobre o que é o álbum Stupid Dream, bem evidente nestas linhas: “Credit me with some inteligence / (if not just credit me) / I come in value packs of ten/ (in five varieties). Nota de curiosidade: Christine Keeler é uma modelo e show girl famosa britânica (foi bem bonita na época dela), que em 1961 dormiu com o secretário de defesa britânico e o traiu com o embaixador da ex-união soviética enquanto passava sua estadia na Inglaterra, causando um escândalo na mídia. Em outras palavras Steven queria por a palavra puta.

    A música é bastante engraçada e possui as mais psicodélicas texturas de todo o álbum, possui até um vídeo tratando satiricamente a indústria musical com direito a um Funny e bem esquisito solo. Música divertida. Liga com:

Stupid Dream – 0:28

    Uma música de transição com um feeling bem fantasmagórico. Esta música é um divisor, pois a partir dela as letras começam a ficar mais doentias. A transição prepara você para:

Pure Narcotic – 5:03

    Uma música triste. A letra trata de um relacionamento que não deu certo, por certas incompatibilidades “I’m sorry that, i’m not like you / I worry that i don’t act the way you’d like me to”, eu lírico pare ser masculino. Esta pessoa tenta fumar para relaxar, mas não adianta muito: “No Narcotics in my brain can make this go away”, ele a deseja mais que tudo. Duas linhas são as mais interessantes: “Leave me dreaming on a railway track / Wrap me up and send me back”, me sugere um pensamento suicida ou de alta depressão. Tudo normal.

    Steven Wilson faz uma referência ao Radiohead álbum The Bends: “You keep me hating,You keep me listening to The Bends”. Talvez essa seja uma das letras pessoais de Steven, como Trains.

    A música é calma, unida com a voz de Steven é relaxante. A música me da impressão de tentar retratar a monotonia desta tristeza. A parte acústica passa para:

Slave Called Shiver – 4:41

    Uma das minhas músicas preferidas do álbum. É o mesmo assunto de Pure Narcotic e parece ser uma progressão da história. A música desta vez possui dose de perversidade e o início da obsessão pela pessoa amada. As linhas: “I may be nothing now but I Will rise, I’ll have more followers than Jesus Christ” são simplesmente inspiradoras.

     O som retrata o objetivo desta pessoa que só vai progredindo com o traçar de seus planos, só notar o ritmo crescente, note também os efeitos depois de cada frase enfatizando cada sentimento de cada linha. O baixo segue em ritmo de funk (fiquei surpreso), não o funk brasileiro, mas sim o verdadeiro funk dos Estados Unidos. Cris tenta umas batidas experimentais adicionadas as texturas de Richard que dão um sentimento de estranheza. Fizeram questão de tornar esta música no mínimo curiosa. A obsessão desta pessoa passa para uma fase extremamente doentia em:

Don't Hate me - 8:30

    Esta pessoa começa a perseguir a outra e a fazer ligações contínuas pelo seu celular, nada saudável. As letras me deixam explícito o exílio social, e sua companhia passa a ser o cigarro.

    Esta música ganha o meu segundo lugar de preferida do álbum, para mim a mais bem trabalhada, perto do meio temos um solo de flauta de forma extremamente “Jazzistica” e seu ápice chega com a dramática entrada do solo de Saxofone (me lembrando muito as passagens de Dark Side of the Moon) e as empolgantes batidas de Cris. No fim ouvimos “Now and then...” e deixemos o solo falar por si só... O feeling de rejeição pela pessoa amada é bem presente.

    Se você tiver ouvido aguçado, ou se não tem comece a treinar agora, preste atenção nas várias ambientações de Richard com fones de ouvido, alguns sons lembram os lamentos de uma pessoa em um ambiente quase de morfina (força de expressão). A música quebra a quietude para outra história:

This is no Rehearsal – 3:27

    A letra refere-se ao assassinato de um garoto chamado James Bulger, que aconteceu na Inglaterra. Esta criança de apenas 2 anos foi assassinada por outros dois garotos de 10-12 anos que estavam em um Shopping Center. James tinha se perdido da mãe, quando foi encontrado por estes dois garotos que o convenceram a acompanhá-los prometendo o retorno até ela. Levaram o garoto até um canal onde o arremessaram, sofrendo sérios ferimentos no rosto, fizeram várias piadinhas sobre o ato e depois continuaram a caminhar, enquanto andavam convenciam as outras pessoas de que aquele era o seu irmão mais novo e de que estariam o levando para um centro de estação policial mais próximo. Ao invés disso levaram o garoto até uma estação de trem, jogaram tinta em seu olho esquerdo, e o torturaram com tijolos, pedras e um pedaço de cano largado do próprio trilho, além de socos e chutes. Ainda há suspeitas de o crime ter natureza sexual já que as roupas de Bulger foram retiradas. No fim colocaram James, já morto, na trilha de trem para que parecesse um acidente, os garotos saíram do lugar e inevitavelmente o trem passou por cima, mutilando o corpo.

    Felizmente eles foram filmados e um deles foi reconhecido por uma mulher. Testes forenses confirmaram as mesmas manchas de tinta nas camisas destes meninos e que estavam no corpo de James, além de sangue e DNA nos tênis de ambos os garotos. Os garotos foram sentenciados a 8 anos de prisão que só foi aumentando com as petições do próprio povo britânico, aumentaram até os 15. No fim cumpriram 8 anos pelo motivo de que eram crianças, não respondiam por seus atos e pouco sabiam discernir o bem do mal, ainda que um dos garotos não tivesse sentido remorso por isso e ter sido diagnosticado como psicopata. Tiveram suas identidades trocadas e estão sob vigilância constante do governo, mudaram de cidade e estão proibidos de voltarem para os recintos de onde cometeram seu crime. Em 2010, não faz muito tempo, um dos garotos (agora um homem) foi pego por abuso sexual contra uma criança e voltou ao sistema carcerário, pouco se revela sobre os detalhes do processo, provavelmente terá prisão perpétua.

    A letra trata da visão da mãe que perde o filho. A música varia entre o acústico e o agitado, o interessante é que na hora de colocarem as “guitarradas” possuem uma tendência mais direcionada para o punk. Curiosamente meu primo menor que só curte as coisas injetáveis da mídia curtiu, só demonstrando interesse por esta música do Porcupine. Um “Punk Progressivo”? Gostoso de ouvir, bom solo. Pulamos para:

Baby Dream in Cellophone - 3:16

     Interessantemente Colin não toca o baixo nessa música, ao invés disso Steven toma conta do papel nesta música. A música tem um tom bastante psicodélico e lembra bastante Pink Floyd. As vozes harmônicas me lembram levemente Beatles. É bem estranho e o ambiente tenta ser seu clímax, o início é meio fantasmagórico.

    Steven dedica essa música para bebês revoltosos, assim como Nirvana faz para adolescentes. O assunto é o mesmo de Another Brick in The Wall PT 2 do PF. Steven retrata que tudo na nossa vida é bastante controlada, implicitamente o estado, pois tudo já está decidido. Temos que ir a escola, o estado se torna imperativo na medida em que só oferece um único sistema de ensino, não podemos escolher o que vamos estudar ou que realmente queremos fazer e aprender. Todos vão à faculdade para repetirem as mesmas coisas, estudos e trabalhamos a serviço do estado, dando uma sensação de falsa liberdade neste sistema. Nossa vida é direcionada para isto de tal modo que tudo pareça natural, as vezes esquecemos que o mais importante é ser nós mesmos, respeitando a liberdade do outro onde a dele se inicia, e sermos livres da alienação. Eu vou parar aqui se não isto daria outro post já que estudo estas teorias sobre o estado e tenho MUITO para dizer, incluindo outra visão que apóia isso para a interdependência do sistema simbiótico da sociedade, causando o progresso. PAREI POR AQUI. Steven sugere aos bebês: Comecem a revolta pelos seus úteros maternos!

Stranger by the Minute – 4:31

    A música mais pop de todo álbum, Porcupine Tree tem uma música agradável para todos os ouvidos. Basta procurar e mostrar para seus amigos. Boas vozes harmônicas, Chris canta nesta parte, novamente o baixo é tocado por Steven. Acho interessante como Steven fez a música sem apelar demais para os clichês do pop, que as vezes o tornam enjoado de ouvir. Um solo com um acento de blues seria legal se Steven fizesse mais solos assim. Leve e divertido. Steven possui uma banda pop chamada Blackfield, mas infelizmente suas músicas não se assemelham muito a esta.

    A música me dá duas interpretações. O eu lírico é usuário de drogas (LSD?) ou é insano. Que está abandonado no parque e parece estar dopado enquanto observa as pessoas e não parece estar bem abrigado: “I’m getting a frostbite”. Por fim, esta pessoa tem um sonho messiânico de que algum amor irá salva-lo, se for à primeira opção suponho que seja um antigo amor. Se for a segunda opção então o garoto está delirando.

A Smart Kid - 5:22

    Smart Kid é a minha música preferida do Porcupine.Eu me identifico com a letra desta música. Conta a história de um garoto (faz referência a uma antiga música sua: Radioactive Toy) que depois de um desastre nuclear se torna o único sobrevivente, logo depois uma nave misteriosa aparece, mas não acaba o levando junto. A letra é bem evidente e poética, também pode deixar implícito que o garoto não espera a nave, mas outro alguém.

    A música inicia com um Riff acústico muito peculiar, a sensação de solidão logo é notada. A bateria dá sempre a sensação de mistério e surpresa. Os efeitos dessa música são totalmente lisérgicos, Richard explora muitos sons e eu não vou ficar detalhando isso para vocês, é muito trabalhoso. Ouça com fones de ouvido e tente prestar atenção em todos os sons do ambiente. Há muitos sons fantasmagóricos, sons que me lembra canto gregoriano, melodias de trilhas sonoras, expressões de vozes e até sons de baleias (!). O teclado parece conversar com a guitarra, no fim a música tem uma pausa para uma longa respiração que parece transparecer cansaço ou uma longa jornada para apresentar o solo mais dramático do Steven EVER MADE. Um David Gilmour a lá Steven Wilson. O solo infelizmente, para mim, É MUITO CURTO. Eu realmente queria que a música durasse uns 7 minutos entre a média de mais 1 minuto ou 1 minuto e meio do solo. Procurei, nos shows tocam a versão idêntica do álbum, diferente de Start of Something Beautiful. Depois do solo, os sons fantasmagóricos voltam com toda a força, parece que está sugando algo por um buraco negro ou uma invasão de monstros estar para acontecer (aposto na segunda), ligando com:

Tinto Brass – 6:17

    Tinto Brass é o único instrumental do álbum, no começo a namorada (na época uma japonesa) de Steven começa a falar em japonês. Uma flauta aparece hora ou outra, e que mais parece um bicho. Todos vão apresentando suas habilidades, Tinto Brass é um cineasta italiano famoso pelos seus filmes como Calígula.Steven viu seu nome nos créditos de algum filme e decidiu pesquisar sobre, mas não encontrava nada, até sua namorada encontrar informações em um arquivo japonês e começou a ler em japa mesmo. Steven ouviu e pediu para não traduzir e então ele colocou na música. Tirando a curiosidade, deixo o feeling desta música com você. Fechamos com:

Stop Swimming - 6:53
   
    Esta música retrata a tristeza do Steven pela música, por motivos exaustivamente citados acima. Ele comenta que várias vezes já pensou em desistir, mas ele sempre irá lutar contra isso. Continue assim Steven. A música ao lado da real interpretação tem uma conotação romântica livre para a sua escolha.

    A música lembra muito Space Rock e psicodelia, note a guitarra súbita perto de seu fim, o som der repente começa a lentamente falhar para no fim terminar com um “bum”. Indicando de forma grosseira o fim do álbum e o empacotamento pronto para o comércio.

    

     Acho que tudo já está bem evidente. Espero que você agora tenha uma visão mais crítica sobre o assunto. Stupid Dream retrata a filha da putice da indústria da música e de histórias e tragédias separadas para “o pacote do CD”. Contando os aspectos íntimos de Steven, divido o album em capítulos:

1 – Acidente Inevitável
2 – Desabafo
3 – Stupid Dream
4, 5, 6 – Tragédia de Amor
7 – Uma história que parece mentira
8 – Revolta pessoal
9 – Drogas e insanidade (não que ele use ou tenha usado)
10 – Poesia
11 – Ponha seu feeling aqui
12 – Fim do desabafo

Se você não ouviu o álbum todo, ouça. Não perca esta oportunidade, principalmente para quem procura músicas que tentam inovar diariamente seus tímpanos. 3 Vivas ao Rock Progressivo.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Muzak



    Há muito tempo queria fazer uma resenha sobre um álbum que fosse contínuo, de forma que ao ouvir o álbum você deveria tirar uma conclusão sobre todas as músicas e o próprio álbum. Infelizmente a maioria das pessoas não presta atenção no que ouve.

    É impressionante você falar de música com alguém e tentar aprofundar o assunto para no fim descobrir que mal tem uma personalidade musical, ou a famosa resposta “gosto de tudo, sou muito eclético/a”. O problema não está em ouvir várias músicas diferentes, mas sim ouvir só um tipo ou uma única banda (¬¬), e quando ouvem o interesse do contéudo musical é bastante limitado, além dos clichês da mídia, para no fim não abstrair algo mais relevante disso. Até aprecio pessoas que possuem uma grande gama de personalidade musical e sabem discutir sobre. Muito aprendi só ouvindo música, mas não qualquer tipo de música, músicas que possuem um conteúdo inteligente, um contexto bem trabalhado e de bandas que não falem sobre a mesma merda o tempo todo.

   Inicialmente iria postar aqui a análise The Dark Side of the Moon – Pink Floyd (PF), na minha interpretação o Dark Side fala da jornada da vida, com a primeira música sendo o nascimento de alguém e a última a sua morte, uma jornada detalhando os momentos da vida e principalmente as transições de loucura, a única coisa que o álbum não detalha (no meu contexto) é um relacionamento amoroso, o que só aumenta o meu respeito pelo PF, pois eles raramente ou simplesmente não apelam pra esse tema tão batido. E provavelmente se você perguntar para o Google deverá ter varias resenhas sobre o Dark Side, então decidir falar da melhor banda que você nunca ouviu: Porcupine Tree. O Dark Side ficará para outro dia, não percam.

Nota: Não se enganem com ao pensar que Wish You Were Here se trata de um romance, os mais próximos disso são Sorrow e What do You Want From Me, duas músicas que não foram escritas por Roger Waters, mas por David Gilmour. Para os desinformados, Roger saiu do PF por disputa de direitos autorais no álbum: The Cut. Ele era o escritor original.

    Álbuns como The Dark Side of The Moon, Metropolis Pt.2 Scenes From A Memory (Dream Theater) e Stupid Dream (Porcupine Tree) são como um quadro, você olha uma imagem e terá uma interpretação a partir dos seus prévios conhecimentos, cultura e do que aquilo pode te adicionar. Diferente de um quadro, a música consegue ter mais abrangência por fundirem poesia e música, criando uma atmosfera para maior interpretação e aprendizado, e a partir destas músicas eu pesquiso sobre e tento extrair o máximo possível.

   Inicialmente tinha ficado em dúvida entre Stupid Dream e In Absentia, decidir pelo Stupid por causa do In Absentia ser muito mais complexo (apenas em uma música encontrei três interpretações –‘) em termos de subjetivação e sentimentos intrapessoais, este álbum sugere que as músicas sejam a partir da visão de um Serial Killer, e convenhamos você não está muito longe de um psicopata onde todos são um em potencial. Meu curso oferece a vantagem de estudar isso, então quando eu tiver mais maturidade e conhecimento este será outro post. Assim que a minha faculdade relaxar (provas). Apresentarei vocês o Stupid Dream o mais rápido possível. Provavelmente nesta ou na próxima semana.

sábado, 6 de março de 2010

Cineris

Bem... Este será meu primeiro post realmente pessoal, um leve desabafo. Um amigo de codinome "Blue" me perguntou se eu não escrevia mais letras e músicas. Foi quando minha criatividade começou a aflorar sensivelmente. Foi feito uma pesquisa que não lembro a fonte, que as melhores letras e poesias de artistas são feitas quando eles não podem publicá-las, as mensagens ficam mais criativas e menos "jogadas na cara", estas letras dos artistas pesquisados são dos artistas brasileiros da época militar, quando eram terrivelmente censurados e passível de morte, fazendo as suas mensagens ganharem mais subjetividade, criatividade e etc.

Isso me fez lembrar a época da minha escola que não foi nada agradável. E eu escrevi... Bastante... Bastante... até engraçado que foi nessa época que a minha escrita começou a ganhar forma, as vezes mostrava para os meus amigos e recebia elogios, apesar de serem do "início da minha carreira de escritor". Muito pouco publiquei do que eu escrevi e menos ainda restou registros desses textos que para o meu próprio bem apaguei, foi nessa época que me interessei por leitura e até "estudos em latim", parte da minha fantasia. Eu nunca aprendi realmente latim, apenas expressões em qual as usava/uso como recurso, mas aprendi muitas coisas interessantes da morfologia da língua. Quanto mais eu estudava para melhorar minha escrita, mais me revoltava a escrita de algumas pessoas, e logo aprendi que qualquer consegue escrever “poeminhas “mas poucos fazem realmente poesia. Quer ver? Observe:

É muito fácil dizer / Que amor Só rima com dor / Que sou um sofredor / Não importa o que eu fizer


Viu? Poesias são muito mais do que simples trechinhos que ouço em 500 letras de brega, pagode, samba e em parte o sertanejo (sim, eles ainda tem algo interessante tanto em melodia quanto em letra), e letras deste tipo estão aí pelas ruas nas suas mais variadas formas de grudar, gravar e recitar TOMEM NO CU PORRA. Talvez detalhe esta parte em outro post em um futuro muito distante. O problema não é a mensagem em si, mas como se escreve ou transporta a mensagem, é como um filme que possui um péssimo roteiro. E derrepente pode alguém dizer: "Gosto é subjetivo!” Gosto é que nem cu, cada um tem o seu!”e eu respondo: "Sim, mas ainda prefiro a qualidade à quantidade, segundo meu ouvido não é pinico, terceiro: seu brega compete liricamente com Renato Russo e Oswaldo Montenegro? É claro que ainda tem muitos fatores como diversão, sonoridade, intenção e passaria linhas sem fim descrevendo isto no meu blog, termino então com gosto é subjetivo, mas que esses sozinhos são toscos eles são."

Lembro um tempo antes de entrar para o cursinho que fazia curso de redação, meu professor me chamou de gênio e se eu não me cuidasse meu talento seria destruído. Talvez só dependa de mim, eu invejo bastante as letras do vocalista de Kamelot, Roy Khan, que faz algo brilhante em apenas 15 minutos, de acordo com ele a sua criatividade vem da vontade de brincar com as palavras. Existem muitos escritores de poesia e música que eu poderia citar, mas não farei, pois gosto de guardar minhas fontes e minhas inspirações líricas, e ainda passaria um bom tempo descrevendo eles.

Um artista uma vez disse: "As letras mais tristes são as mais bonitas" e "Há pouca diferença entre um serial killer e um artista", use seu bom senso e verá que é verdade. Ainda duvida? Qual são as músicas mais famosas de seus artistas preferidos? São romances ou tragédias.

Minha escrita passou por várias fases: "imatura", "épica", "dark", "madura" e agora "experimental". É claro que isso é só uma brincadeira comigo mesmo ^^, e que agora sou tudo isso e um pouco mais. Não irei postar nenhum dos poemas antigos se você pedir, você receberá um soco no estômago e uma cuspida, apaguei tudo o que restou e que por bons motivos não merece re-lidos, não foram dados a devida importância na época, como seria bom devolver a dor a remetente. Sinto saudades de alguns que escrevi e se você ,amigo muito próximo meu, possuir um desses, me devolva e apague. Tentei ser breve e revelar menos detalhes possíveis, de bônus se você leu até aqui eu te agradeço e de bônus leia a única coisa que restou daquela época.

Nossas poesias são bastante influenciadas pelo que estamos lendo ou ouvindo agora, naquela época eu estava numa era "Power metal", ouvindo bastante Angra. E então tentei algo épico, originalmente era para ser um poema Alexandrino, mas sua composição é bastante difícil e então terminei por deixar assim e gosto bastante dele. Por fim o significado de Cineris significa "pó" em latim. O poema fala de Alexandre. E para quem já conhecia a minha escrita pode até estranhar, pois prefiro o inglês e raramente o português.


Alexandria

Construirei a sétima maravilha
Muito além dos sete mares
A que superará toda guerrilha
Tua força invejará olhares

Cresça e brilhe Alexandria
Sob a proteção de meu nome
O farol será a tua glória
Sua luz será meu renome

Sou o filho cujo destino
Não temeu o fogo da Grécia
E nem a fúria da Pérsia

Este será meu nome santificado
Um lugar para ver das estrelas
Na Babilônia tu estás cravado




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Legal né? \o/

Agradecimentos especiais:

Amigo "Blue"
Amigo "Green"



domingo, 24 de janeiro de 2010

Uma Narrativa Noir

“Belém 1970, o lugar considerado como França na América fora levemente esquecido se não fosse pelo projeto faraônico de Médici: transamazônica iniciada em 69, a França que foi vendida como prostituta. Desde J.K o Brasil parece seguir o rumo possuir mas não produzir, ouro branco por dólar: negócio de brasileiro. Noir duvidava que o projeto fosse dar certo e ainda que desse deixariam pela metade, o profeta anunciava um milagre econômico. Noir puxava seu último cigarro da caixa Marlboro, um excelente mal gosto, na esperança de narcóticos o aliviarem da lembrança de dois casamentos fracassados, lia-se no verso da caixa ‘Veni, vidi, vici’ ou ‘Vim, vi, venci’, um álibi para por um câncer no seu pulmão. Decidiu entregar a sua vida inteiramente para o blues, ‘Sole numa encruzilhada e ele aparecerá’ , era o que contava a lenda, depois era só assinar com sangue na linha pontilhada e a lenda faustiana se tornaria realidade. Levou seu violão, carregou sua arma, tirou uma folga na delegacia e desafiou a lenda. Um Volkswagen Beetle preto apareceu dirigido por um rapaz negro apelidado Boca do Inferno, em troca ele o ensinou a melodia, Noir fazia bem mais que um trato, entregava sua vida para o Blues, em especial o Delta Blues. Noir finalizou o contrato com tais palavras: ‘Não sei quanto aos anjos, mas é o medo que dá asa aos homens.’”

A melodia soava mais ou menos assim:

Um..., dois...

Um, dois, três, quatro:

http://www.youtube.com/watch?v=Yd60nI4sa9A

Cross road Blues – Robert Johnson

I went down to the crossroads, / Fell down on my knees I went down to the crossroads, / Fell down on my knees / Asked the Lord above for mercy, / "Help me if you please" / I went down to the crossroads, / Tried to flag a ride I went down to the crossroads, / Tried to flag a ride / No one seemed to know me, / Everybody passed me by / I'm going down to Rosedale, / Take my rider by my side / I'm going down to Rosedale, / Take my rider by my side / You can still barrelhouse, / Baby, on the riverside / You can run, you can run, / Tell my friend Willie Brown /You can run, you can run, / Tell my friend Willie Brown / And I'm standing at the crossroads, / Believe I'm sinking down

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Como vocês sabem, ou quem visita meu orkut,tenho o costume de colocar sempre no perfil uma música com várias mensagens subliminares. Em um dia muito entediado (logo depois de ter visto um dos filmes mais nostálgicos possíveis: Crossroads) decidir escrever a narrativa para o perfil, o que significa que se estou escrevendo para o blog logo também estou entediado, e se você está lendo isso muito provavelmente não tem o que fazer. O que acharam da narrativa?

Robert Johnson (1911-1938) foi um grade violonista do blues e talvez um dos talentos mais importantes para a música que conhecemos hoje. O blues não apenas influênciou o rock e suas vertentes como também o rap, hip-hop e etc. Muitos artistas fazem sempre grandes homenagens e referências a Robert, incluíndo os Rolling Stones, Led Zeppelin, Eric Clapton, Steve vai e a lista não iria parar. Provavelmente até ó rock que você está escutando agora mesmo tem a influência deste músico que parece ser muito mais conhecido entre os artistas da área musical do que simples amantes da música, e não acaba recebendo o prestígio que merece. Embora muitos possam querer escutar Robert Johnson podem acabar se decepcionando, seu blues é daquele bem de raiz: um violão e uma gaita bastam, a guitarra no próprio blues só foi ganhar destaque com Muddy Waters junto com a sua curiosa técnica com a Slide Guitar, considerado motivo de espanto e inovação, se não me engano em 1941.

O rock e em especial o metal tem o mito de serem criações do demônio, poucos sabem que isso vem na cerne de sua própria origem, no próprio blues é claro, o blues foi uma quebra de contraste por ser uma música que falava constantemente de pobreza, violência e sensualidade, diferente de outras músicas da época e afirmarem que este tipo de música incitava atos violentos, evidenciando sua origem na mazela da sociedade. A história se repete com os frutos do blues, e a música punk ou anarco-punk são o melhor exemplo.

Para aguçar a curiosidade Robert Johnson é envolto por uma lenda, sua maestria e rápido aprendizado com o violão apenas se devem o fato de ter sido discípulo ou ter vendido a sua alma para o demônio. No Mississipi, Robert na esperança de ser um grande artista de blues levou seu violão até uma cruzilhada perto de uma plantação onde um homem alto e negro apareceria, lá o homem pegou sua guitarra, afinou e tocou algumas músicas e retornou para o Johnson dando a maestria do violão junto e em troca ele perdeu sua alma, não esqueçamos que Lucifer era o anjo querubim da música. Histórias da troca de alma com o demônio surgiram provavelmente com folclores europeus e logo depois imortalizados em boas histórias na literatura e influênciado nossos cinemas. Outros rumores dizem que Johnson teria afirmado, mas ninguém sabe se foi dito seriamente, outros afirmam que ele era bastante religioso e que Cross roads blues não era nada mais do que a frustração de sua vida, várias biografias remontam a lenda mas nenhuma delas afirma com toda a certeza exceto um fato: Robert Johnson está morto.


É claro que tudo isso é uma questão de fé, e até mesmo fé para acreditar na história. Ninguém possui provas e até músicos cristãos como Oficina G3 fazem músicas de metal pesado sem problema. Lenda, mito, fato, admiração, obra ou não, isso tudo só faz o blues ser mais maravilhoso do que ele ja é. Lendas não nascem, são feitas. O blues simplesmente possui um jeito cativante e brincalhão com suas notas nas escalas parecendo que está dando uma de esperto ou fazendo uma piada para lá e para cá, para lá e para cá. O que deve estar na alma de todo blues man.


Para os amantes do blues em geral devem ou deveriam ter assistido o filme Crossroads que passava na Sessão da Tarde na rede Globo. Estrelando o ator do Karatê Kid, uma pena o filme não ter recebido a atenção que merecia, a história apesar de simples e o garoto ser um péssimo ator, é uma história bastante divertida de ser assistida, brilhantemente contada e principalmente de ouvir, afirmo que será uma de suas melhores 1 hora e 30 minutos, não perca seu tempo e dnheiro com musicais como Hanna Montana, High School Music e etc. O filme mostra as dificuldades ao tenta retratar o sacrifício de todo antigo blues man, o que a necessidade não faz? Metaforicamente o filme vai seguindo enquanto nosso herói junto com seu mestre (que por sinal é o antigo companheiro de Robert Johnson, Willie Brown) percorrem as estradas, uma alusão a estrada da vida. A trilha sonora conta com a participação com Ry Coder "dublando" as guitarras e no final com Steve Vai. O filme é uma raridade, não encontrei na locadora, mas por sorte alguém conseguiu baixar o vídeo, posto o link do filme assim que eu arranjar o link com essa pessoa, enquanto isso fiquem com a imagem e tentem pesquisar e baixar sobre:

E aqui vai o link da música crossroads pelo cover de Eric Clapton, um blues mais rock: http://www.youtube.com/watch?v=Zh4n1bZi4d8


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Inaugurando o blog

Bem, ja fazia um tempo que estava afim de criar um blog para expor meus pensamentos e críticas do que se passa por mim e por nós. Devido a vários outros blogs terem roubados os nomes que botei, "dicturus" foi o biscoito da sorte. O nome "dicturus" vem do latim vulgar que significa dito, dizer ou melhor classificando: "dizer" na forma acusativa da palavra para o latim. O termo "Cogito, ergo sum" vem do filsófo Descartes, traduzindo seria: "Penso, logo existo", foi uma conclusão que veio ao duvidar de sua própria existência, mas comprova a mesma ao perceber que pode pensar e chegar a essa conclusão, sujeitando-se a isto ele deve de alguma maneira existir. Deu um nó na sua cabeça? Não se preocupe, pule essa parte e contente que você existe.
Os assuntos tratados por este blog serão: criticismo, poesias ou leituras, pensamentos, games e música de forma que todos entendam, ou seja, preso a nenhum assunto ou público específico, só dependendo do meu humor e principalmente da preguiça (ou falta do que fazer) da questão.
Como ja é madrugada, estou calminho ouvindo Pink Floyd e ansioso para que chegue a manhã (hehehe...) e gurdando os assuntos polêmicos para mais tarde, vou postar algo descontraído: 7 coisas que aprendi com Kingdom Hearts! Até quem não joga pode se divertir e falar mal depois XD - Here we go:


(Para os interessados só na avacalhação podem pular esse parágrafo)
Para quem não sabe Kingdom Hearts (corrgindo: para quem não joga) é um jogo que une nossos antigos heróis da Disney com os nossos heróis da pré-adolescência e adolescência ("aborrêscencia") da nossa idade: os heróis e vilões do Final Fantasy. Se você vê um grupo falando de Mickey, Pateta e Donald e outros personagens da Disney sem estarem acompanhados de crianças é com quase toda certeza um falando disso e logo você ouvirá nomes psicodélicos e não entederá patavina, você terá toda certeza se ver um dos integrantes com uma "chave" no pescoço. E você diria: O que um monte de muleques estariam falando de Disney???? (FUUUUU). O jogo apesar de ter Disney é profundo, se você pegar as mensagens subliminares é claro.

1) A gravidade é um tanto... estranha.

Você pula mais rápido do que cai,. E cai muito, muito devagar, pode até quase flutuar! Newton não aprovaria.

2) Um corte no meio do seu coração não te mata!

Se uma keyblade (arma especial, fodona, só pode ser usada pelo escolhido, Excalibur, como preferir...) atravessar seu coração e você não morre! Desde que você tenha uma forma humana ou fofinha você já tem um lugar garantido na lista dos "imorríveis" (Disney Censor Detected), se você for um monstro então bye bye.

3) Eu sou o escolhido...

Diz a lenda que apenas o escolhido seria o portador da keyblade e salvador/destruidor do mundo, de bônus os seus melhores amigos (COINCIDENTEMENTE) provavelmente também serão em um futuro não muito distante. --'

4) Se você for o principal o resto pode morrer...
...eles recussitam depois.
5) Um ninja de orelhas?
Não, é o Mickey.
6) Sofro de amnésia...
Procure seu Nobody, irmão gêmeo, sósia...
7) Coisas como bolas de vôlei, basquete, futebol e cordas para pular...
...São excelente objetos para brinca de bater nos amiguinhos.
END